terça-feira, 24 de novembro de 2015

Resumos

Há já uns dias que me lembrei de passar por aqui. Dos últimos tempos e resumindo o que se passou desde o último post: o serviço onde estou a trabalhar teve uma mudança radical e teve inclusivamente um período em que esteve fechado. 

Neste período tive de ser alocada a diferentes serviços do hospital mantendo a minha carga horária. Foi um período com um misto de positivo e negativo. 

Por um lado foi óptimo ter descoberto outros departamentos, outros colegas e perceber melhor o funcionamento de todo (ou quase) o hospital. O negativo prendia-se com a incerteza diária, o desmembramento da equipa e mesmo o "não gostar" de certos sítios (bem foi só um na verdade!!). 

Mas foi tão bom para o meu ego quando era recebida nesses serviços com sorrisos e com "que bom que estás connosco hoje!". E acreditem que nem eram comentários só de portugueses. As pessoas reconhecem quando recebem verdadeira ajuda! Hoje sinto-me mais confiante dentro da grande estrutura hospitalar e recorro a ajuda diferenciada mais facilmente. Balanço positivo!


Tópicos soltos :

- parece que estou "congelada" em termos musicais :/ ando sempre a ouvir a mesma coisa...
- não consigo acabar um certo livro porque entrei na fase PALHA e não quero deixar este e seguir para outro (ai senhores!!!)
- nos entretantos fui lendo do José Luis Peixoto 'O último segredo' porque achei que me ia desligar e voltar para o outro mas foi daquelas leituras de rajada e quando dei por mim já estava lido.

Tópicos a explorar:

- obsessão pelo Tommy Karevik 
- balanço de um ano de UK
- última visita a Portugal


segunda-feira, 25 de maio de 2015

De visita...

Há uns dias atrás estive de visita a Portugal. Foi apenas uma semana de férias para essencialmente visitar a família. 

Este tema do 'ir a Portugal' tem-me rondado a cabeça e então vou escrever aqui sobre o que tenho pensado. Em primeiro lugar parece que algumas colegas de trabalho acham estranho (só tenho colegas não-portuguesas) eu não ir constantemente a casa, já que o voo é relativamente rápido. Eu, como gosto pouco de dar justificações sobre o que faço ou deixo de fazer, lá atalho com algumas frases sem saída e a conversa morre ali. 

Para alguns dos meus colegas portugueses percebo perfeitamente a sua opção de mal se apanhem com folgas ou férias "fugir" para lá. Muitos estão no seu primeiro emprego, ainda pouco habituados a tudo isto que nos aconteceu, sem as caras metades ou com saudades do sol!! Não os condeno de forma nenhuma, cada um tem a liberdade para fazer o que quer. 

Sobre eu só ter ido a casa ao fim de seis meses concluo que é uma espécie de "reacção" a tudo que deixei para trás. Talvez só agora esteja a começar a digerir isso tudo e a relativizar esse tempo. Quando fui para Odemira queria logo vir-me embora na primeira semana e aqui em Bury, ao fim de seis meses, isso ainda não aconteceu. E penso que muito da minha, até agora, boa adaptação deve-se ao facto de eu ter plena consciência que me "livrei" de coisas que me faziam sofrer muito. 

Aqui quero ter tempo para construir a minha vida e aprender as regras do jogo daqui. Com o tempo desenvolvi uma espécie de fuga primitiva, mal sinta o estímulo de algo que me cause sofrimento psicológico. Por exemplo, em Odemira e mesmo em casa no Porto, existe um olhar assassino que as pessoas lançam sobre pessoas como eu. Lá em baixo era muito pior mas mesmo assim também o notei no Porto. Já não sei lidar com isto, com este grito interior que ameaça pular sobre quem me olha daquele modo. E porque é que me causou desconforto? Porque não o sinto tanto por estas bandas. As pessoas mesmo que "estranhem" um casal vestido de preto, rapidamente mete conversa e quando a resposta é similar já deixam de olhar com estranheza. Em Portugal, parece que as pessoas pensam logo que és alguma espécie de alien, ou drogado. É deste tipo de coisas que não sinto qualquer saudade, esta tacanhez tão entranhada. 

Quando também passamos por Almeirim, tive uma dessas epifanias. Ia no autocarro com o namorado e a sogra e atrás de mim um quarteto de típicas velhas portuguesas. Ou seja, são aquelas a quem tudo faz confusão (e nem se importam de tentar perceber alguma coisa), falam alto como se estivessem a apregoar na feira e produzem de tal forma um discurso de mal-dizer ao mais alto nível. 

À cabeça vem-me um sketch do Ricardo Araújo Pereira em que basicamente ele diz vamos exportar as velhas portuguesas. Aqui onde trabalho também lido com muitas senhoras velhotas, mas fazendo uma análise muito grosseira não tem nada a ver. 

Outra coisa da qual não sinto falta, comerciantes que atendem os clientes como se fosse um frete. Não precisam de ganhar dinheiro pois não? Então depois não refilem. Ah e tal o povo português é um povo hospitaleiro, já ouvi dizer! 

E depois, mesmo por cá, as notícias más sempre chegam mais depressa. Parece que qualquer notícia que ultimamente me aparece à frente são sobre aquelas histórias inimagináveis que só podem acontecer em Portugal! Tipo a da TAP...ainda bem que por aqui não se apanhou nada disso. 

Ainda tenho tanto sítio para explorar aqui...e armados de GPS sinto-me imbatível :D

domingo, 5 de abril de 2015

Avaliações

A propósito de avaliações...quando comecei a trabalhar foi-me dado um conjunto de folhas que serviria de auto e hetero-avaliação ao longo dos primeiros seis meses. E isto fez-me recuar alguns anos e lembrar-me de determinados momentos avaliativos. 

Primeiramente lembro-me da solenidade com que encarava todo este processo avaliativo nos primeiros anos de escola. Depois comecei já a achar que aquilo era um grande aborrecimento, "faça a sua auto-avaliação", achava uma maçada e nunca sabia o que escrever. 

As reuniões de pais era outra coisa que me irritava, parecia que era a hora do complô em que o diretor de turma expunha tudo e todos na frente do grupo parental. Aqui nunca tive aborrecimentos mas enfim achava desnecessário. Até porque havia sempre alguém que se dava comigo que fazia alguma asneirola e levava também um sermão solidário do estilo "livra-te de te passar o mesmo pela cabeça"... (suspiro) isto há coisas da vida!

Chegada à faculdade pensava eu que estava livre de tudo isso, pensava eu que tinha entrado no mundo dos adultos. Pois claro! Auto-avaliações em qualquer sítio de estágio (nem por 5 dias), individual ou em grupo e até avaliações por pessoas que raramente nos viam nos ditos estágios. Tive direito a tudo! 

Mas algo que lá consegui desenvolver foi uma certa capacidade de escrever as minhas avaliações de modo a que parecesse algo credível, algo com nível. No fundo existe toda uma prática em escrever um discurso em que nos auto-gabamos e auto-punimos tudo ao mesmo tempo. Como digo, lá pratiquei a minha capacidade de "engonhar" e parecer bonito. Ah! E nada de se ser muito sucinto pois as pessoas não gostam de pessoas práticas e objectivas. 

Quando comecei a trabalhar lá me livrei um pouco disto, até porque a minha paciência já estava esgotada. Até que me surgem duas alunas de Enfermagem e adivinhem lá o que tive de fazer? Pois hetero-avaliações. Não é igualmente fácil mas tentei ser justa ao máximo e nunca me prendi com aspetos menores. Acho que aqui até me safei melhor! Aliás foi uma das melhores experiências profissionais e senti-me valorizada enquanto tutora.

Agora que estou quase a completar os seis meses por aqui tenho que acabar de completar o tal conjunto de folhas, mais uma auto-avaliação. Só que agora o palavreado é todo em inglês. Lá me vou safando, como de costume!   

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

- Uma coisa nova que tenho na minha nova vida são as caminhadas solitárias para o trabalho. Qual ser enchumaçado madrugada dentro a andar na rua às 6h30 da manhã ainda com noite cerrada bem presente. 

Nestas caminhadas em que já quase vou em piloto automático tenho tempo para pensar em muita coisa. A primeira coisa que penso sempre é "está fresco hoje, hein?". À parte disto penso em inúmeras coisas, nomeadamente faço uma pequena previsão de como será o meu turno e se há alguma coisa que possa planear com esta certa antecedência. 

É uma caminhada solitária como já referi e de facto dá espaço a estender os pensamentos e não me concentrar tanto na respiração ofegante e no ritmo cardíaco elevado. 

Felizmente acho que só houve um dia ou dois em que a caminhada não foi assim tão pacífica. Uma vez foi quando saí de casa e as ruas estavam todas cheias de gelo e fui o caminho todo em modo alerta de quando seria o momento em que ia escorregar e acabar a 'esbardalhar-me' no chão. Outro dia foi quando nevou e apesar de ter chegado a casa encharcada vinha contente porque não estou habituada a andar na neve. 

Outra coisa que por vezes dou por mim a pensar é no carácter de algumas pessoas que conheço e em como esta nossa humanidade se torna tão previsível após alguns dias de convivência. Para o bem e para o mal tenho a minha análise desses mesmos carácteres já algo aguçada. Até ver ainda não me enganei nas minhas leituras. 

- Mas existem sim duas questões essenciais sobre os ingleses, às quais ainda não encontrei explicação. Uma é, porque andam ingleses com este frio do 'catano' em t-shirt? A segunda é porque é que os ingleses rejeitam qualquer género de cortinado nas janelas expondo assim qualquer tipo de actividade que estejam a praticar nas suas casas? O Universo parece-me derepente desalinhado perante isto. 

- Quanto a leituras ainda estou embrenhada em duas obras ao mesmo tempo uma das quais merecerá um pequeno texto de referência. 

- Tenho visto vários filmes ultimamente dos quais posso ressaltar os que mais gostei: 


  • - The Theory of Everything
  • - Predestination
  • - Unbroken
  • - American Sniper

Quanto a música vou colocar dois temas que tenho ouvido com bastante interesse, às vezes simplesmente apetece ouvir algo diferente mas nada de sons mainstream que não dizem nada, algo subtil e com bom gosto.



terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Ayreon - Entanglement

- Ultimamente não tenho ouvido nada de "novo" mas queria partilhar este tema do último álbum de Ayreon. Este tema em particular porque parece que estou viciada. Para mim a partir dos 12 minutos não há volta a dar senão seguir até ao fim. Adoro Ayreon desde que o descobri e viciei-me nesta música porque como ele disse no documentário ainda existem pessoas que gostam de colocar os head phones e entrar numa aventura musical. Só para denotar que estes três fazem um belo "casamento" vocal: Marco Hietala, Tommy Karevik e Sara Squadrani.



- Pensamento parvo do momento: tornei-me numa pessoa de digestão lenta! A sério!! As coisas custam-me a passar pelo filtro e não me estou a referir a comida.

...adiante...

- A vida aqui pela Inglaterras vai seguindo o curso normal, diria eu. Uma pessoa tem que tomar decisões e aceitar as consequências, os acontecimentos positivos e negativos. Não me posso queixar mas como boa portuguesa tenho sempre que enfatizar os defeitos :D isto por aqui tá um frio do mais fucking amazing haha!! Nunca fui pessoa de gostar de sítios muito quentes e sempre preferi os tempos mais frescos ao calor abrasador. Mas meus amigos ao que parece hoje, pelo que me disseram, tinha zonas escurecidas nos lábios...e ainda não devemos estar no pino do Inverno...confesso que estou um pouco receosa, vai que congelo mesmo e depois acho que não há retorno possível dessa situação.

- Outra coisa inevitável são as comparações certo? Afinal que diferenças já encontraste aí por essas terras? Ui, muitas mas também já bastantes semelhanças. Ora uma pessoa chega aqui e é bem recebida e isso é bastante encorajador, faz-nos não tremer tanto nas canetas, dá-nos algum alento. Já fui tão mal tratada no meu país ao menos por aqui a coisa ainda não se deu. Mas depois uma pessoa começa a ver as coisas com maior clareza. Tenho pensado que de facto no início tudo parece muito mais bonitinho do que é e a certo ponto o encantamento quebra-se. O meu já se quebrou há muito tempo, não precisei de muito tempo para observar bem as pessoas e adivinhar-lhes alguns comportamentos. E como disse há pouco tempo a algumas colegas, onde existem pessoas existem problemas. Não interessa bem qual a língua que falam. Mas não interpretem isto como algum estado de desânimo, nada disso. É só que uma pessoa espera que algumas coisas sejam "mais à frente" e vai na volta dou por mim a pensar "estes gajos são uns tónes, uns tótós, uns complicadinhos". Digamos que algumas das suas complicações até tolero porque analisando bem até são para proteger (pelo menos) a nossa situação profissional mas por outro lado às vezes são demasiado lentos, burocráticos e coisas que tal. Mas como estou cá para me adaptar lá vou encaixando algumas linhas de pensamento. Por outro lado sempre que posso lá vou mandando o meu bitaite do "acho que alterando isto ou aquilo teríamos melhores resultados"...mal não faz. 

- Em relação ao trabalho em si, estou a entrar no esquema aos poucos. Isto parecendo que não ainda é uma catrefada de informação a absorver e também o compreender como as coisas funcionam per si. Sinto-me suficientemente à vontade para questionar e expôr o meu ponto de vista. Além disso, quer se queira ou não, temos de adaptar a nossa forma de trabalho porque existem regras bastante restritas e não convém uma pessoa armar-se em "papo seco". Simplesmente perguntar como é "normal" fazerem determinada coisa é o suficiente para se ficar esclarecido. Confesso que a minha dificuldade tem passado mais pelas burocracias do que propriamente pelos doentes ou técnicas. E também pelo falar ao telefone...imaginem atender telefonemas (ou fazê-los) numa área super movimentada e com gente sempre a fazer barulho e muitas vezes ter de tentar entender um sotaque estranhíssimo debitado a mil à hora...ok, aqui sim eu panico muitas vezes!!

- E pouco depois de 3 meses passados ainda não há vontade de voltar a correr para trás. Sim, porque já me perguntaram isto tantas vezes que já enjoa :) 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Hoje é um novo dia! O dia em que finalmente algumas engrenagens se começam a entrosar. Já tenho net na minha nova casa...

Ontem quando andava pelo Facebook encontrei em primeiro lugar uma blogger que diz ter lido mais de 50 livros num ano. Fiquei logo deprimida, parece que ando sempre exausta ultimamente. Mas pronto, depois encontrei isto:


E senti-me motivada a tentar seguir esta lista. Penso que pela minha leitura diagonal vários pontos serão abrangidos pelo mesmo livro mas pronto o que conta é a motivação.
Ontem, também, encontrei a versão original do Hobbit (em inglês) e decidi que era desta que o leria na sua língua original.
Posto isto, estou de momento a ler o thriler "Seizure" de Robin Cook e vou incluí-lo já nesta lista pois estou bem no início. Como sempre não está a desiludir!
Enquanto anadava a passear ontem dei também com vários exemplares de livros do Stephen King, ui, ui (a felicidade!!!)!

sábado, 8 de novembro de 2014



- 1ª semana - 

Para mim como foi a primeira vez que andei de avião foi logo a primeira nova experiência. Medos na altura: acertar no peso das malas, passar sem stress pelo detetor de metais (por razões e saúde) e o restante é tudo que envolve estar dentro de um avião. 

Achei o avião com espaço reduzido, como se fossemos todos num autocarro ali coladinhos uns aos outros. A viagem foi relativamente curta o que para mim foi bom pois estar ali naquele espaço apertado dá-me logo uns stresses!!

A chegada às acomodações foi pacífica até tivemos um almoço ao ar livre oferecido por um dos sindicatos que, ao que parece, estava a fazer uma acção para sensibilizar os trabalhadores a conviver na hora da refeição em vez de trazerem trabalho consigo. 

A visita à cidade com colegas que já cá estão a trabalhar foi boa mas muito cansativa pois a maioria de nós estava quase sem dormir porque o voo foi muito cedo. A certa altura eu só queria atirar-me para cima de uma cama!!!

No dia seguinte fizemos nova visita à cidade com mais calma e pudemos também tratar de assuntos como por exemplo marcar dia e hora para abrir conta. Ora pensavam que era só chegar ali e "ó faxabor quero abrir conta cá"? Enganam-se! Uma coisa positiva é realmente o banco estar aberto ao Sábado...coisa que em Portugal é impensável.

Felizmente o tempo tem estado bastante razoável apenas numa noite esteve um vendaval terrível, pelo que li, por causa de um furacão que andou por aqui perto, o George. Mas tirando esse dia mais cinzento e ventoso acho que ainda não "bati mesmo o queixo". As acomodações são quentíssimas, coisa que não estou habituada e que me causa algum receio pois as diferenças de temperatura em mim resultam quase sempre em amigdalite :S auch!!!

O caminho do hospital até à cidade demora a pé aproximadamente 15-20 min. Felizmente não é como em Odemira, bastante plano e incitador a essa caminhada em qualquer hora do dia. 

Algo que tenho gostado bastante é o facto de as pessoas serem bastante educadas e sorrirem ou cumprimentarem na rua mesmo não nos conhecendo. Para mim isso tem sido bastante positivo. Já o que me tem chocado é ver gente sem conta com obesidade e a moverem-se com muita dificuldade ou a usarem uma espécie de motas eléctricas para poderem ir às compras.

De modo geral acho que aqui é possível existir qualidade de vida pois a cidade tem zonas pedonais, extensas área verdes. Um bom mercado com frutas e vegetais vistosos, saborosos e do produtor, o que deveria incitar nas pessoas melhores hábitos alimentares.

domingo, 19 de outubro de 2014

No presente momento já estou no Reino Unido há 4 dias. Nenhuma adaptação é fácil mas também não é tão medonho como alguns 'velhos do Restelo' me quiseram fazer acreditar. Tenho sentido coisas muito positivas e isso é sem dúvida uma dádiva neste momento da minha vida. 

Volto em breve :)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Ainda há gente a perguntar-me: "Mas porque é que te vais embora/ nos vais abandonar?"

E eu não sei se ria ou se chore....

Ah! E há até qume se faça ouvir com o "patrão paga certinho no fim do mês". Pois, o meu até ver em 5 anos também pagou certinho no fim do mês. E ainda assim eu vou privá-lo dos meus préstimos. Vejam lá, isto há coisas neste mundo...

domingo, 5 de outubro de 2014

Neste momento:

- iniciei "pausa" oficial no trabalho

- terminei com todos os contratos que tinha e concluí que quem quer fazer isto em cima da hora está tramado

- já troquei o sul pelo norte (santos ares)

- já tenho as malas e bilhete para a viagem (escolher o que levar - pânico!!)

- leituras em inglês diárias são obrigatórias

- ainda tive tempo de ter uma amigdalitezinha (hehe)

- adorei ler "Misery" do Stephen King e iniciei "The Castle of Otranto" do Horace Walpole

- está quase !!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O bom filho a casa torna

De todas as coisas que mais me têm atormentado é saber que descurei o meu cantinho. E de saber o motivo. 
Nada de sentimentalismos...perdi a motivação. Mas não foi só nesta actividade. 
Tentando saír desta apatia foram tomadas decisões e no fundo da questão era necessário regressar. Como diz o bom adágio português...regressei porque preciso disto. 
Quantos pensamentos se me ficaram apenas pelo "sonho acordado" das palavras pensadas e não escritas.

Decisão-base: saír do buraco.

Reflexão: Há cinco anos atrás saí da minha "zona de conforto", ou seja, casa dos pais, para atender à única oportunidade concreta até à data relativa a trabalho. Lá vim eu de mala aviada e computador atrás. Mal aterrei nesta terra não senti qualquer tipo de empatia, nem pelo lugar, nem pelas pessoas. Mas o dever da independência chamava por mim e então lá fiz das tripas coração para me vergar um pouco. Habituada que estava a ser sempre a pessoa estranha e a pessoa que fazia umas avaliações estranhas das coisas. Torci o meu orgulho e cá me deixei ficar. 

Chegada ao meu local de trabalho posso dizer que a minha adaptação não foi uma maravilha. E o que é que aconteceu? Fácil, pessoas. Ora é que eu cá tenho os meus conceitos sobre várias coisas como: educação, personalidade, competição, organização e até trabalho de equipa vejam lá! Toda uma panóplia de coisas que tenho guardado cá dentro, boçalidades para muitos. O choque começou mesmo quando tudo se estava a tornar numa angústia persecutória e nem uma alminha para compreender o meu sofrimento. Se fosse aborrecer os meus pais com todas as contrariedades que me aconteciam coitados, entravam em pânico com a distância. Não, lá me fiz de valentona e embrulhei tudo. E pensei que com isto me poderia fortalecer. Até certa medida acho que consegui. Fui aprendendo a contornar os problemas e a saber enfrentá-los. 

Devido à distância física de tudo o que eu conhecia melhor e gostava, não foram raras as idas aos correios para enviar o meu currículo para tentar fugir daqui o mais rápido possível. Fui inclusivamente a algumas entrevistas e tristemente, apesar de estar a trabalhar, haveria sempre um "não tem experiência em..." que se entrepunha à minha vontade.

No entanto o tempo ia passando e então decidi deixar-me estar sossegada uns tempos para conseguir experiência de trabalho e também o dito "tempo" que em muitos locais me era exigido.

Concentrei-me mais no meu enriquecimento a nível de conhecimentos, o que também não foi fácil nem motivado por quem devia. 

Vida social inexistente. E em boa parte a culpa é minha, ainda hoje o é. Sempre acabo por me deparar com pessoas que acham tudo em mim estranho e nem se dão ao trabalho de tentar perceber. Acabam por me catalogar e pôr de lado. Mas tudo bem, lá tive que superar isso também.

A certa altura Portugal mergulha a pique na crise e o que é que acontece? Cessam os concursos públicos e cessam as minhas remotas chances de voltar, pelo menos ao norte.

Então e agora deixo-me estar? Sim, deixei-me estar.

Por incrível que pareça acontece algo bom, conheço o meu namorado e ele vem viver comigo aqui para  a terrinha. Ora versada que estava já a nível de conhecimento das personalidades-tipo daqui cedo o fui ouvindo tecer comentários muito certeiros. Afinal eu não estava louca :D

Muitas vezes se ouve na televisão que Portugal recebe elogios rasgados como bom anfitrião. Estou convencida até hoje que o meu insucesso nesta terra poderia ter sido revertido se: fosse de facto uma turista estrangeira, tivesse dinheiro aos molhos, andasse sempre pelas tascas a apanhar brutas bebedeiras, me incluísse no grupo das alcoviteiras, passasse horas a fio na praça a "controlar" quem passa, onde vai e com quem vai. Ah! E por último, olhar qualquer estranho com desdém e de cima a baixo como se nunca tivesse visto um ser humano na vida. Até hoje não consigo entender esta cultura, este desnível humano, esta falta de tanta coisa. Conclusão: eu odeio esta terra e esta gente e não vou ter saudades disto!

No trabalho, acabo também por desistir de lutar contra a maré. "Todas as pequenas vitórias me souberam a pouco", como já antes dissera aqui. Tornou-se uma cruzada diária estar naquele sítio, a ver as mesmas pessoas a tomar partido das situações em vez de serem punidas. Então deixem-se lá ficar com essas pessoas medíocres que não estão interessadas no sucesso da instituição mas sim em se fazerem passar por "chefes" da malta e terem todos sob a sua rédea. Comecei a dar por mim num estado de alheamento total, quase como se estivesse a ver as coisas do lado de fora.

Tudo isto parece muito mau e foi...mas adquiri instrumentos para seguir adiante. Não me adaptei, é a vida, assumo e vou então à minha vidinha!

E foi então que se deu o tal empurrão. O tal, não consigo mais respirar e vou-me afogar. Chega de hipocrisia e injustiça, tem que existir um lugar melhor para mim. E vou à procura dele!

Não sei se o encontrei mas só pelo facto de ter conseguido saír deste buraco com um certa solidez, já valeu a pena! Mas não tem que ser sempre assim...não é?

Decisão tomada: novo emprego, nova vida.

Por isso que preciso disto, deste sítio, porque agora parece que vou recomeçar finalmente o que já devia ter começado!

Até breve!